Conversamos com Eduardo Hirochi, sócio-fundador e diretor de produtos da 5F Soluções em TI, para entender por que SOC e NOC precisam assumir um papel estratégico na continuidade dos negócios.
1. Muitas empresas associam SOC e NOC apenas ao monitoramento. Essa visão ainda faz sentido?
Essa é uma visão bastante comum, mas já não representa o papel que essas operações precisam desempenhar.
Durante muito tempo, monitorar ambientes de TI significava acompanhar painéis, gráficos e alertas em tempo real. Isso continua sendo importante, mas monitorar apenas informa que algo aconteceu. Não impede que o problema aconteça.
O verdadeiro objetivo de um SOC ou de um NOC maduro é reduzir a probabilidade de incidentes antes que eles impactem a operação.
2. Então, qual é a principal diferença entre monitorar e prevenir?
Monitorar é identificar um evento quando ele já ocorreu.
Prevenir é atuar antes que esse evento se transforme em um incidente.
Um NOC que apenas acompanha indicadores percebe uma indisponibilidade quando o serviço já foi interrompido. Um SOC que apenas correlaciona alertas identifica uma invasão quando o ambiente já foi comprometido.
A prevenção exige uma abordagem diferente. É preciso entender o comportamento normal da infraestrutura, identificar desvios e agir antes que o impacto chegue ao negócio.
3. O que caracteriza uma operação realmente preventiva?
Tudo começa pela capacidade de interpretar o contexto.
Nem todo alerta representa um problema grave e nem todo incidente começa com um grande sinal.
Um aumento de latência pode indicar apenas uma variação momentânea, mas também pode ser o início de uma falha que afetará toda a operação.
Da mesma forma, um acesso realizado fora do padrão pode ser apenas uma exceção ou o primeiro indício de um ataque cibernético.
A diferença está menos na tecnologia e mais na capacidade analítica das equipes e na maturidade dos processos.
4. Qual é o maior erro que as empresas cometem ao avaliar SOC e NOC?
Muitas organizações ainda analisam essas operações apenas por indicadores técnicos, como quantidade de alertas tratados ou cumprimento de SLAs.
Esses indicadores são importantes, mas não mostram o impacto real para o negócio.
A pergunta mais relevante é: quanto risco foi evitado?
Quando um incidente deixa de acontecer porque a equipe identificou um comportamento anormal antes do problema surgir, o valor entregue é muito maior do que simplesmente resolver uma falha rapidamente.
5. O impacto vai além da área de TI?
Sem dúvida.
SOC e NOC existem para proteger a continuidade do negócio.
Uma indisponibilidade pode interromper vendas, comprometer operações industriais, afetar hospitais, gerar prejuízos financeiros ou causar danos à reputação da empresa.
Quando pensamos dessa forma, percebemos que não estamos falando apenas de infraestrutura tecnológica, mas de disponibilidade, produtividade e confiança.
6. É possível eliminar completamente os riscos?
Não.
Não existe ambiente totalmente seguro.
O que existe são organizações mais resilientes.
Empresas maduras entendem que a prevenção é um processo contínuo de aprendizado. Elas analisam sinais, revisam controles, ajustam políticas de segurança e evoluem constantemente.
Essa é a principal característica de operações realmente eficientes.
7. Qual é o papel da automação nesse cenário?
A automação é extremamente importante porque acelera a identificação de eventos e reduz o tempo de resposta.
Mas ela não substitui pessoas.
As melhores operações combinam tecnologia, processos bem definidos e profissionais capazes de interpretar informações e tomar decisões orientadas por risco.
É essa combinação que permite antecipar problemas e aumentar a resiliência do ambiente.
8. Como os líderes deveriam avaliar a eficiência de um SOC ou NOC?
Eu acredito que a principal pergunta não deveria ser quantos alertas foram tratados durante o dia.
A pergunta correta é: quantos incidentes deixaram de acontecer porque a equipe conseguiu agir antes que o problema surgisse?
Quando uma organização começa a medir esse tipo de resultado, SOC e NOC deixam de ser vistos como centros de custo.
Eles passam a ocupar um papel estratégico na proteção da operação, da reputação e da continuidade do negócio.
Sobre o entrevistado
Eduardo Hirochi é sócio-fundador e diretor de produtos da 5F Soluções em TI. Com mais de 25 anos de experiência no mercado de tecnologia, é especialista em Tecnologia da Informação, com sólida experiência em cibersegurança, redes corporativas, infraestrutura de data centers, cloud híbrida, virtualização, hiperconvergência, proteção de dados e balanceamento de aplicações. Atua no desenvolvimento de soluções de ponta a ponta, projetos de pré-vendas, implantação, migração, troubleshooting e capacitação técnica para ambientes corporativos e governamentais. É bacharel em Ciência da Computação, especialista em Projetos de Redes e certificado pelos principais fabricantes de tecnologia do mercado.

